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Futebol de cego
Página publicada em: 11/08/2023
Rogério Skylab / Peço: R$49,00 (88 pág.)
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O clima do novo livro de poesia do compositor-cantor Rogério Skylab é de despedida e celebração. Nota-se, ao longo dos mais de 70 poemas, trocas abruptas de tom: do cômico, por mais que o músico e poeta carioca afirme não ser dado ao humor, à constatação mais seca de que a vida acabou para ele – em “The dead”, por exemplo, no qual se lê: “Lutei, desisti, abandonei, duvidei, esqueci, me encontrei:/ não sou ninguém/ e não tenho escolha”. (Continue...)
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Esse tipo de constatação algo fatalista divide espaço com versos como o de “Uma bofinho”, que trata de um assunto com os qual os seguidores do autor estão acostumados: “Eu quero uma bofinho/ cuja dubiedade provoque pânico/ e vista de longe pareça homem.// Uma bofinho que me traia/ e me roube de vez em quando.// Pra quem lave, passe e cozinhe./ E, além disso, me coma”. Parece haver, mais do que em qualquer outro trabalho de Skylab, a presença recorrente de pares de opostos. É difícil não pensar no conceito de Camp, elaborado pela norte-americana Susan Sontag (1933-2004), que trata da dubiedade como uma forma estética de encarar o mundo. No novo livro de Skylab, nota-se com clareza essas reviravoltas no conteúdo e há, também, uma maior flexibilidade na forma. É o contrário do que foi praticado em Debaixo das Rodas de um Automóvel, no qual havia predominância do antissoneto – o que, por si só, já é uma forma de subversão. Rogério Skylab, músico e escritor, é, ao mesmo tempo, um fenômeno que se projeta para um futuro a ser decifrado pelas novas gerações de leitores, como também uma realidade para os leitores da atual geração, que com ele se conectam de forma espantosa e visceral.

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» Adelto Gonçalves

Jornalista com passagem em alguns dos maiores órgãos da Imprensa de São Paulo, professor univeresitário com doutorado pela USP (Univesidade de São Paulo), especialista em Literatura Portuguesa e Espanhola, autor de ensaios premiados, é também excelente ficcionista, como se pode comprovar neste romance "Os vira-latas da madrugada", um dos livros premiados, em 1980, no concurso de âmbito nacional promovido pela Livraria José Olympio Editora, que o lançou em 1981, e, trinta e quatro anos depois, é reeditado pela LetraSelvagem. "Adelto Gonçalves tem o dom de fazer viver suas personagens, convencendo o leitor de seu valor humano, mesmo quando suas ações, como as de Pingola e Quirino, lhe repugnem", escreveu Maria Angélica Guimarães Lopes, professora emérita da Universidade South Carolina, em resenha publicada na "Revista Iberoamericana", do Instituto Internacional de Literatura Iberoamericana, Universidade de Pittsburg, EUA, janeiro de 1985.

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