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Edivaldo de Jesus Teixeira premiado no Paraná
Página publicada em: 16/10/2008
"As coisas postas", poema de Edivaldo de Jesus Teixeira, foi premiado em Concurso Nacional de Poesia promovido pela Secretaria de Estado da Cultura do Paraná
Acaba de chegar, do Paraná, em bonita edição brochura, com 120 páginas, a antologia dos poemas e contos premiados no "17º Concurso Nacional de Poesia HELENA KOLODY" e "Concurso Nacional de Contos NEWTON SAMPAIO", ambos promovidos em 2007 pela Secretaria de Estado da Cultura do Paraná.
 
"As coisas postas", poema de Edivaldo de Jesus Teixeira premiado com Menção Honrosa, vem impresso às páginas 33-34. Tal poema também faz parte do recém-editado livro "O homem deserto sob o sol" (LETRASELVAGEM, 2008). Vide o poema no final deste texto.
 
Para atestar a seriedade e a importância do "17º Concurso Nacional de Poesia HELENA KOLODY", basta informar a composição do júri: Affonso Romano de Sant'Anna, José Castello e Geraldo Mattos.
 
Helena Kolody nasceu em Cruz Machado, Paraná, no dia 12 de outubro de 1912. Faleceu em Curitiba, em 15 de fevereiro de 2004. Em homenagem a ela foi criado o Concurso Nacional de Poesia Helena Kolody, da Secretaria do Estado do Paraná, que há dezessete anos vem revelando novos talentos e reafirmando outros tantos, como Edivaldo de Jesus Teixeira, que lançou seu primeiro livro de poesia, Neurama, na Década 70, ao qual se seguiram outros livros, como Nosso feroz sossego e Não acontecem primaveras na América Latina (1979), que mereceu citação no artigo A poesia na década 70, escrito pelo poeta e crítico Moacyr Félix (Revista Civilização Brasileira nº 20).
 
Eis o poema premiado:
 
AS COISAS POSTAS 
 
E pôr-se uma coisa
sobre a outra
a carne sobre ossos
e a pele
e a luz sobre o lago
e a árvore sobre a pelve
e o musgo.

E pôr-se a luva sobre a mão
do assassino
a epiderme e os sinais digitais
sobre ela postos
o segredo posto sobre o crime.

O conceito posto sobre a obra,
seus desígnios insondáveis.
O olhar do autor da obra
sobreposto à imagem ( palavra-objeto )
que a consubstancia e exprime.
O mapa posto com contornos
que o geógrafo pondera e imagina :
a fronteira da fome entre os povos
posta assim como uma sina.

E a imagem posta sobre
Santo Sudário,
em que tempo, com que perícia
as mãos a exprimiram?
Em que estábulo obscuro ou oficina,
com que escopo a teceram entre fímbrias,
com que tinta indelével e tão fina
que ainda hoje se percebe suas linhas?

A colcha posta sobre a amante
deixando entrever os seios túrgidos,
a pelve sobressaindo urgente e escura,
com que desejo se teceu tão vívida forma
dando-lhe o gosto do amor e da aventura?

E aquela maravilhosa pintura
posta no teto da Capela Sistina?
Com que louvor pintou-a Michelângelo
tecendo-a poro a poro, em que dia,
com que régua cada ângulo ele media,
cada contorno, expressão ou agonia?

E o rosto do outro posto no espelho
procurando a identidade absoluta
desse enigma,
pois postas ali estão surpreendentemente
as duas faces do mesmo paradigma.

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