Editora LetraSelvagem

Editora e Livraria Letra Selvagem

Literaura Brasileira

Os melhores escritores do Brasil

Ricardo Guilherme Dicke

Romance, Poesia, Ficção

Deus de Caim

Olga Savary

Nicodemos Sena

Edivaldo de Jesus Teixeira

Marcelo Ariel

Tratado dos Anjos Afogados

LetraSelvagem Letra Selvagem

Santana Pereira

Sant´Ana Pereira

Romance

Nicodemos Sena

Invenção de Onira

A Mulher, o Homem e o Cão

A Noite é dos Pássaros

Anima Animalista - Voz de Bichos Brasileiros

A Espera do Nunca mIas (uma saga amazônica)

O Homem Deserto Sob o Sol

Romancista

Literatura Amazonense

Literatura de Qualidade

Associação Cultural Letra Selvagem

youtube
Destaque Cadastre-se e receba por e-mail (Newsletter) as novidades, lançamentos e eventos da LetraSelvagem.

Artigos

Fonte maior
Fonte menor
Explosão e delicadeza, desatino e recato
Página publicada em: 10/03/2008
Ferreira Gullar*
Prefácio de "Espelho Provisório", livro de estréia da poeta Olga Savary (1970)
"Voa  nuvem Pedro.
— pássaro em seu sono."
Este é um poema de Olga Savary que, ao mesmo tempo, nos dá uma mostra de sua poesia e nos mostra um dos aspectos importantes de sua personalidade de poeta: a necessidade de recuperar a unidade ou de afirmar o real  como íntegro. Noutras palavras: ela nos diz que há momentos , coisas ou  pessoas, em que a realidade é plena, sem fissuras, sem contradições. No fundo, como todo poeta verdadeiro.
 
Olga denuncia a alienação de nossa vida: o constante, o dia a dia, é a experiência falhada, a palavra não dita, o momento  mal vivido, a falsa existência:
 
"Esta cidade é muito perigosa
— dizem os cabelos que enxugo na janela enquanto
o riso é solto e o amor retido."

Ela nos parece dizer que a multiplicidade dos fenômenos e das vozes mais encobre  que revela a essência real da vida. Por isso mesmo, ela está sempre nos chamando para o silêncio, a quietude, para as coisas que dormem esquecidas ou abandonadas, para o que está aparentemente à margem do mundo. Ela busca, ali, aquela integridade, aquela unidade, que daria sentido à existência. Mas onde encontrá-la realmente se “Nada termina tudo se renova?“ É uma angústia que a dilacera “como uma garra / que fecha e abre dentro da fechada carne “.
É quase o desespero:
 
"Mas que fazer senão estar acordada na desordem quando não se é mais fera fera fera."
 
Olga Savary é, assim, uma pessoa que está viva, às voltas com as contradições profundas da existência. E esta é, no meu entender, a marca verdadeira da poesia. Mas deve-se acrescentar que, se é fato que todo poeta está, por natureza, envolto em tais contradições, cada um tem desse envolvimento uma experiência e uma expressão particular, própria. Em Olga Savary, há um misto de explosão e delicadeza, de desatino e recato, como se ela temesse, por falar alto, quebrar o encanto do que vive: seja uma criança, uma lembrança, uma cidade.
A cautela de veludo é a  imagem que me fica de sua poesia.
_____________ 
*Ferreira Gullar é considerado pela crítica como um dos grandes poetas brasileiros, autor, entre outros, de "Poema sujo"  

Faça seu comentário, dê sua opnião!

Imprimir
Voltar
Página Inicial

Autores Selvagens

Autor

» Hernâni Donato

Hernâni Donato já foi chamado de "o homem dos sete instrumentos". Isto porque, aos 89 anos de idade, membro da Academia Paulista de Letras, é autor de mais de 70 livros, nos mais variados campos da atividade humana, indo da literatura infanto-juvenil à biografia, da historiografia aos costumes, da pesquisa à divulgação científica. Entre as numerosas traduções que realizou, destaca-se a da "Divina Comédia", de Dante Alighieri, em prosa e para divulgação entre o povo. Mas foi no romance que se deu a perfeita combinação do observador minucioso, na linha do cientista social, com o escritor de estilo claro e elegante. É o autor de "Selva Trágica", "Chão Bruto", "Rio do Tempo", "O Caçador de Esmeraldas" e "Filhos do Destino", sucessos editoriais nas décadas de 1950 e 60. Alguns críticos, como Abdias Lima (“Correio do Ceará”, 2/2/1977, Fortaleza, CE), aproximaram Hernâni Donato de Erskine Caldwell e John Steinbeck, a geração norte-americana da revolta, o Caldwell de "Chão Trágico" e o Steinbeck de "As Vinhas da Ira".

Colunas e textos Selvagens

© 2008 - 2021 - Editora e Livraria Letra Selvagem - Todos os Direitos Reservados.