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A Mulher, o Homem e o Cão
Página publicada em: 26/06/2016
Fernando Py
Narrativa simbólica e arquetípica revolve as obscura entranhas da mítica "realidade" de uma região de sonhos e pesadelos do humano em estado de absoluto abandono. Confira a resenha de Fernando Py (publicada originalmente no jornal "Tribuna de Petrópolis", 18.03.2016, Petrópolis, RJ)
No romance (talvez seja melhor chama-lo simplesmente de “narrativa”) A Mulher, o Homem e o Cão, de Nicodemos Sena (Taubaté, SP: LetraSelvagem, 2009); prefácio de Christina Ramalho; posfácio de Dirce Lorimier Fernandes), o leitor se defronta com um texto recheado de uma atmosfera onírica, fantasmagórica, onde se misturam a lenda, o sonho, os contos de fada, aspectos bíblicos-religiosos, misticismos, encantamentos e alucinações que podem conferir ao conjunto o fantástico e o inverossímil próprios à narrativa, narrativa que, como a de Riobaldo em Grande Sertão: Veredas, é narrativa para um ouvinte que não é identificado.
 
Cumpre assinalar que os personagens não têm nome, vivem à beira de um rio anônimo. Tudo isto indica que se trata de uma história passada em qualquer ponto do mundo, vivida por gente que pode ter qualquer origem. Logo no começo, o homem recomenda à mulher, ao sair: “Fica na cabana até que eu volte, e não desce parta o rio”. Isto nos lembra a história do Barba Azul – e a mulher faz exatamente o oposto: vai ao rio. A partir dessa desobediência, como que se desata o maravilhoso: uma mulher se defronta com uma criatura vermelha, de pele escamosa, com sete cabeças e dez chifres, ou seja, uma das bestas do Apocalipse de João (Apocalipse 17:3-5). Com as palavras da criatura, a mulher se sente seduzida e aí se desenvolvem o mistério, os sonhos, as alucinações. Por outro lado, tanto a mulher quanto o homem e o filho – que teriam perdido – e até o cão se modificam passo a passo, por vezes assumindo formas fantásticas, misto de seres humanos e animais. Existem e não existem ao mesmo tempo, e essas metamorfoses e transformações dependem muito da maneira como se veem e são vistos por si e pelas criaturas certamente forjadas pela imaginação.
 
Nicodemos Sena possui não só a habilidade de contar uma história, mas também é mestre em criar atmosferas de encanto e mistério. Apesar da dificuldade de leitura: o livro deve ser lido com muita atenção e cuidado para que bem se possa assimilar todos os fenômenos e mistérios encadeados – apesar disso, a obra arrasta e subjuga o leitor, que vai acompanhando todas as peripécias do texto. Ao final, acabadas as alucinações, o homem, a mulher e o menino sentam-se juntinhos à beira do rio e desaparece o homem a quem teria sido contada a narrativa. É importante meditar bem sobre o texto.
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*Fernando Py é poeta, crítico literário e tradutor brasileiro. Traduziu a íntegra da monumental obra proustiana Em Busca do Tempo Perdido (Ed. Ediouro, 2002, RJ)

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» Fiodor Mikhailovich Dostoievski

Já na estreia, com "Gente Pobre", publicado quando Dostoievski tinha apenas 25 anos, o crítico mais influente da Rússia, Vassilión Bielínski, vaticinou o surgimento de um gigante da literatura, comparável a Gógol e Pushkin, considerados os maiores escritores da Rússia. Recebido como “a primeira tentativa de se fazer um romance social” no país dos czares, "Gente Pobre" entretanto já prenunciava a incisiva e subterrânea sondagem psicológica da humanidade ‘humilhada e ofendida’ que se observa em todos os seus romances, e que levou o pai da psicanálise, Sigmund Freud, a considerar "Os Irmãos Karamazov" (1879) a “maior obra da história”.

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