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Poeira e Escuridão
Página publicada em: 22/04/2015
João Batista de Andrade / Preço: R$30,00 (160 pág.)
R$ 30,00
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Neste "Poeira e Escuridão", onze contos, onze cantos, onze retratos que se costuram entre o telúrico e a dureza urbana, a revelar o dia que escorre em poesia de amor e dor, de lembrança, cenas do agora, que logo se tornam cacos na massa infame que nos cerca e que logo adiante se recosturam e ganham forma. Onze contos, onze cantos do homem e da paisagem que não pode deixar de existir, porque, como diz Fábio Lucas, homem sem paisagem é absurdo tão grande quanto realidade sem espaço. (Siga lendo o texto que Luís Avelima escreveu nas orelhas do livro)
Imagem
Há em João Batista de Andrade – e não pode fugir disso – uma linguagem cinematográfica que funciona como uma analogia adequada entre a percepção da palavra falada – antes que escrita – da poesia e da instantaneidade vivencial da complexa e multidimensional imagem na tela. Sua literatura é cinema e o cinema que faz é literatura: “minha imaginação febril atira cristais, uns após os outros, eu tenho muitas mãos, como doida máquina de atirar silêncios e luzes, trançar seus brilhos fugidios, explodir de alegria e festa para os aplausos de alguma multidão inexistente” (“Investigando o Caos”).
 
A cidade, a grande cidade, o dia a dia estampado nos olhos-lentes e na caneta de João Batista, as mazelas estampadas nas janelas do tempo, emolduradas de vazio, de um vazio sempre maior do que a vida, do que o próprio olhar como dos desavisados que passam e morrem na angustiada agitação urbana; a memória rural, o sonho, “a vida carregada de perguntas”, as noites inchadas de todas as noites, de todos os medos, os olhares das fechaduras que rabiscam a vida dos que passam num tempo de sovinice e esmolas.
 
Mas há também o dia que raia esperançoso, colorindo essas mesmas janelas de tempo, de passagens antológicas, de contos que podem figurar nas melhores coletâneas de grandes talentos da literatura, retratos do tempo que gira, do mundo de que é feito o cinema, a pintura, a literatura, marcas do nada e do tudo, de  personagens que pensam e existem, existem e pensam num exercício de trânsito na vida: a infância adulta, aquela que não teve condições de brincar, a vida carregada de perguntas, a dúvida da existência, os anos duros da Ditadura, o mundo intrincado da política, o desencanto, o mundo onde o tempo é pouco demais.
 
João Batista de Andrade segue marcando sua trajetória no mundo da literatura e firma-se a cada novo livro. Poeira e Escuridão é exemplo disso. Nos diz que a literatura é a loucura que pode salvar o mundo. (Texto de orelhas, Luís Avelima)
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» Hernâni Donato

Hernâni Donato já foi chamado de "o homem dos sete instrumentos". Isto porque, aos 89 anos de idade, membro da Academia Paulista de Letras, é autor de mais de 70 livros, nos mais variados campos da atividade humana, indo da literatura infanto-juvenil à biografia, da historiografia aos costumes, da pesquisa à divulgação científica. Entre as numerosas traduções que realizou, destaca-se a da "Divina Comédia", de Dante Alighieri, em prosa e para divulgação entre o povo. Mas foi no romance que se deu a perfeita combinação do observador minucioso, na linha do cientista social, com o escritor de estilo claro e elegante. É o autor de "Selva Trágica", "Chão Bruto", "Rio do Tempo", "O Caçador de Esmeraldas" e "Filhos do Destino", sucessos editoriais nas décadas de 1950 e 60. Alguns críticos, como Abdias Lima (“Correio do Ceará”, 2/2/1977, Fortaleza, CE), aproximaram Hernâni Donato de Erskine Caldwell e John Steinbeck, a geração norte-americana da revolta, o Caldwell de "Chão Trágico" e o Steinbeck de "As Vinhas da Ira".

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