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Poesia sob controle da audiência
Página publicada em: 22/03/2013
Rodrigo Nunes Xavier
Uma poesia capaz de causar impacto e perplexidade. E um poeta que não se deixa "modelar" pela expectativa do "público". Segundo problematiza um "internauta". (Texto publicado originalmente em http://olharbeheca.blogspot.com)
Hoje tive conhecimento de um autor aqui da região chamado Marcelo Ariel. Ele lançou um livro chamado Tratado dos anjos afogados em que registrou os poemas compostos em seus vinte anos de carreira. Uma das características do autor é que o que ele escreve é bastante alternativo.
 
Conversando com um professor de redação, ele diz que a característica de misturar diversos elementos inusitados faz de Marcelo Ariel um autor interessante. Num mesmo poema Ariel mostra influência de Platão, filmes da moda, eventos da história mundial e situações cotidianas. Aí perguntei pro professor por que isso é interessante e ele disse que este é um jeito diferente de escrever, sem compromisso com os estilos literários e poéticos. Isso me fez pensar no controle da audiência modelando o comportamento de um escritor.
 
Veja um dado curioso da vida do Marcelo Ariel. Ele começou a escrever na época quando ajudava a mãe nos cuidados de um irmão esquizofrênico. Os dois iam para a biblioteca de Cubatão, Ariel lia de tudo e escrevia algo para o irmão ler. O irmão, esquizofrênico, fica sob controle de estímulos que apresentem relação de oposição (minha leitura comportamental da esquizofrenia, tradicionalmente descrita como uma cisão com a realidade), ou seja, vai ouvir e atentar para aquilo que for diferente, diverso, sem coerência, sem lógica. Supondo que a atenção do leitor é o reforçador para o comportamento de escrever, e que o leitor em questão atenta para aquilo que exibe oposições, poemas "mix" são selecionados.
 
É bem o oposto do que acontece com um literato sujeito à academia, por exemplo. A comunidade acadêmica está sob controle de todo o produto agregado das pessoas que se comportaram em milhares de anos da história da literatura. Várias formas de escrever já foram selecionadas e várias outras já foram extintas, sendo que o escritor hoje é reforçado quando escreve aquilo que esta comunidade específica aprova - e a coerência parece ser um critério tradicional para o reforço.
 
Este é o dilema de Marcelo Ariel: se sua audiência o modelou a escrever "poemas esquizofrênicos", ele não pode ser compreendido pela academia da literatura. Porém, o terceiro nível de seleção também está sujeito a alterações. Uma vez que uma variação passe a contribuir para a comunidade obter reforço (no caso, pela denúncia de questões sociais relevantes, reforço negativo), tal prática cultural pode ser selecionada. Poemas esquizofrênicos que contribuam para o alívio do sofrimento humano pelo apontamento de dilemas sociais podem vir a ser importantes e impactantes. Talvez por isso o professor de redação a que me referi no começo do post se mostre interessado em comprar o livro de Ariel.
 
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* Rodrigo Nunes Xavier

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Autores Selvagens

Autor

» João Batista de Andrade

Nasceu na cidade mineira de Ituiutaba, em 1939, e vivenciou complexos momentos da recente história do Brasil, como o período da Ditadura Militar (1964-1985). Premiado e aclamado como cineasta, sempre alimentou entranhada relação com a literatura, que se manifesta em sua filmografia, quer na urdidura dos roteiros, quer na transposição para as telas de obras literárias, como os romances "Doramundo" (Geraldo Ferraz), "Veias e Vinhos" (Miguel Jorge) e "O Tronco" (Bernardo Élis). Enquanto colhe louros como cineasta, vai publicando os seus livros, sete até este momento (o último intitula-se "Confinados: memórias de um tempo sem saídas").

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