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Críticas

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A selva trágica
Página publicada em: 09/04/2012
Manoel Hygino dos Santos
Livro que virou um dos melhores filmes do Cinema Novo brasileiro e que "se tornou um dos livros mais fascinantes no centênio que ficou para trás" (Resenha publicada originalmente no jornal "Hoje em Dia", 4 de março de 2012, Belo Horizonte)

Hernâni Donato está fazendo 90 anos de vida e merece ser reverenciado pelo que já produziu no campo das letras, pelo aclaramento da situação de grupos sociais que trabalharam sob a penúria da escravidão e ameaça permanente de morte. Seu romance Selva trágica, que não precisa mais ser resenhado, pois, lançado em 1960, está de volta em edição da editora Letra Selvagem, de São Paulo.
 
O diretor da editora, Nicodemos Sena, houve por bem relançá-lo em 2011, para que o público de agora tenha acesso a um dos melhores trabalhos de ficção escritos no país no século passado. Claro que o autor tem outras obras de significativo valor. Mas Selva trágica não é um simples romance narrando a aventura, desumana, a que se submeteram os ervateiros do Brasil para suprir a demanda de mate, mas a rigor para sobreviver numa região distante dos centros de decisões nacionais.
 
O livro virou filme, dirigido por Roberto Farias, em preto e branco, em 1963, com a estreia de Reginaldo Farias como ator. Conquistou o prêmio Saci e representou o Brasil no Festival de Veneza, passando a ser considerado um clássico do cinema novo brasileiro. Estas observações ajudam a despertar a atenção do leitor e do espectador de filmes. Mas o mais importante a enfatizar é que Selva trágica se tornou um dos livros mais fascinantes no centênio que ficou para trás.
 
Diz-se é um romance-documento, mas eu diria que é um "romance-denúncia". O amante de chá, no Brasil ou fora dele, jamais teria compreendido em verdadeiras dimensões da exploração e comercialização desse produto nas regiões do hoje Mato Grosso do Sul e do antigo território de Ponta Porã, se não ler esse romance, de Hernâni Donato, paulista de Botucatu.
 
Não vou repetir trechos de críticas que coroaram essa criação de Donato, da Academia Paulista de Letras e que somente em 1960 exigiu quatro edições. O autor, pelo anos 1950, penetrou nas selvas daquela região para conhecer in loco o que fora o trabalho dos ervateiros, submetidos a regime de escravidão, carregando às costas fardos da erva com até 140 quilos, sem descanso, durante 14 horas diárias.
 
A terrível vida desses homens, em grande maioria jovens, é recriada e descrita com superior interpretação dos fatos pelo autor, que soube também descobrir que, no turbilhão da miséria e da dor, existiam mulheres e que o amor, obedecidas as limitações e ruindades do meio, floriu.
 
O dono do negócio, em regime de monopólio, era a Companhia Mate Laranjeira, argentina, que exercia o poder com extrema dureza, quando não barbárie. Independentemente da história ou das histórias dessa gente, porém, o leitor interessado irá encontrar palavras e expressões, não inseridas no linguajar de hoje. O português e o espanhol se misturam e se completam. Um romance que merecia efetivamente edição extra para que as novas gerações conheçam lições de vida e morte, de sacrifício e dor. Uma situação pouco conhecida, mas que Rafael Barret definiu: "Los departamentos de yerbales Iguatemi, San Estanislao, se han convertido em cementerios. Casi todos los peones que han trabajado en el Alto Paraná de 1890 a 1900 ham muerto".
 
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*Manoel Hygino dos Santos é escritor, crítico e jornalista, membro da Academia Mineira de Letras
 

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Autor

» Adelto Gonçalves

Jornalista com passagem em alguns dos maiores órgãos da Imprensa de São Paulo, professor univeresitário com doutorado pela USP (Univesidade de São Paulo), especialista em Literatura Portuguesa e Espanhola, autor de ensaios premiados, é também excelente ficcionista, como se pode comprovar neste romance "Os vira-latas da madrugada", um dos livros premiados, em 1980, no concurso de âmbito nacional promovido pela Livraria José Olympio Editora, que o lançou em 1981, e, trinta e quatro anos depois, é reeditado pela LetraSelvagem. "Adelto Gonçalves tem o dom de fazer viver suas personagens, convencendo o leitor de seu valor humano, mesmo quando suas ações, como as de Pingola e Quirino, lhe repugnem", escreveu Maria Angélica Guimarães Lopes, professora emérita da Universidade South Carolina, em resenha publicada na "Revista Iberoamericana", do Instituto Internacional de Literatura Iberoamericana, Universidade de Pittsburg, EUA, janeiro de 1985.

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