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Dostoievski: "Gente Pobre" tem nova tradução
Página publicada em: 02/07/2011
Christiane Marcondes
Um funcionário público de meia-idade e uma jovem costureira iniciam uma correspondência quase diária, intensa, urgente. O resultado, longe de ser uma saga romântica, é um livro de crítica social que inaugura a extensa e admirável obra de Fiodor Dostoievski. (Publicado originalmente no "Vermelho", página na Internet mantida e gerida pela Associação Vermelho, entidade sem fins lucrativos, em convênio com o Partido Comunista do Brasil – PcdoB – www.vermelho.org.br).
Gente Pobre foi publicado originalmente em 1846 e retrata com todas as tintas o cotidiano dos miseráveis moradores de São Petersburgo, inapelavelmente submetidos à humilhação dos burocratas, das dívidas e seus cobradores, dos agiotas e dos próprios pares. Não há salvação, isso fica claro desde o início, no entanto, na desolação próxima do patético que o casal compartilha, surge uma cumplicidade libertadora, com espaço para a revelação de sonhos e pequenos afetos. Os dois se amparam, não vencem a pobreza e a distância, mas superam o sarcasmo e a desesperança que rondava aqueles tempos sombrios.
 
Dostoievski compõe assim, com apenas 25 anos, um protagonista tão consciente do seu estado de penúria que chega a sentir compaixão dos próprios pensamentos: Makar Aleksieievitch não fica devendo nada à galeria dos ilustres personagens que, num futuro breve, saltariam da imaginação do autor para as páginas de clássicos da literatura universal, como Os irmãos Karamazov, considerado pelo pai da psicanálise, Sigmund Freud, a “maior obra da história”.
 
O influente crítico da época, Vassilión Bielínski, saúda o estreante nas letras russas como um novo Gógol ou um novo Pushkin, ao mesmo tempo, questiona a maturidade do escritor que consegue, apesar da pouca idade, elaborar um enredo tão denso: “Você compreende o que escreveu? Consegue abarcar (...) toda a terrível verdade que nos mostra?“.
 
O crítico responde à própria pergunta e conclui que sim, que Dostoievski já conhecia a “verdade, revelada por seu dom artístico”. Pede: “Você veio ao mundo com esse talento, valorize-o devidamente, seja-lhe fiel e será um grande autor”.
 
Luís Avelima traduziu o livro, lançado em maio pela editora LetraSelvagem, diretamente do russo e dedicou-se ao trabalho com um prazer diletante. Conta que “chegou às lágrimas” ao se identificar com alguns personagens em cenas que lhe são familiares, cenas que, pontua o poeta e tradutor, são atualíssimas, podem ser presenciadas entre a população mais pobre de qualquer parte do planeta.
 
Avelima consegue manter intactas as emoções que o livro carrega, revivendo-as com um texto contundente e ao mesmo tempo generoso. A humanidade dos enamorados é ressaltada, bem como as dores que afligem a alma de quem não pode contar com o destino de sortes felizes muito menos com os semelhantes. São seres que não se rebelam contra o infortúnio, mas sobrevivem alimentados com uma coragem que pode crescer ao ponto de, um dia quem sabe, tornar-se forte o bastante para revolucionar o mundo.

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» Caio Porfírio Carneiro

Legenda viva da narrativa brasileira. Legítimo representante da melhor literatura que a crítica convencionou chamar de "nordestina". Depois de José Américo de Almeida, José Lins do Rego e Graciliano Ramos, foi o autor capaz de despertar o leitor brasileiro para o problema antigo - mas tratado de um ponto de vista completamente novo - do insalubre e degradante mundo das salinas do Nordeste brasileiro, onde o homem é colocado na antecâmara do próprio Inferno.

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