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Críticas

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Outro Nordeste
Página publicada em: 21/12/2010
Manoel Hygino dos Santos
Bem diferente do Nordeste focalizado pela ficção de José Américo de Almeida, José Lins do Rego, Graciliano Ramos ou Jorge Amado. O Nordeste branco de sol e de sal das antigas salinas do Ceará. (Texto publicado no jornal "Hoje em Dia", Belo Horizonte, MG, 11/11/2010).
João Clímaco Bezerra não está mais entre nós. Mas deixou crítica e ficção valiosa. Ao expressar-se sobre O Sal da Terra, romance de Caio Porfírio Carneiro, ele adverte que o Nordeste são dois: o úmido, canavieiro, com predominância do passado agrícola, a herança das lendas, superstições e crendices do trabalho escravo; e o Nordeste seco, áspero, estendido nos seus infinitos criatórios de gado, povoado de histórias de beatos e cangaceiros.
 
Mas o Nordeste que Caio Porfírio focaliza em seu romance é outro, aquele que não se lê na ficção que vem de José Américo de Almeida para cá nem se vê em novelas ou em filmes de cinema vencedores de festivais. O Nordeste desse autor cearense, nascido em Fortaleza, é o das Salinas, pela vez primeira núcleo de uma história.
 
Depois do acidente na Mina San José, no deserto do Chile, o mundo ficou mais interessado sobre a vida dos homens que vivem na profundeza da terra "caçando" riquezas. No país andino, não houve mortes, mas são incontáveis os que perderam e perdem a vida em outras minas do planeta, principalmente na China.
 
Mas o sal do Nordeste brasileiro não fora lembrado, parece, nacionalmente. Dele se toma conhecimento no saleiro das mesas dos restaurantes ou ao se fazer almoço ou jantar. Nas velhas casas comerciais, tinha prestígio o sal de Mossoró.
 
Pois bem. Caio Carneiro, nascido na Fazenda Pau Caído, propriedade de seu avô Martiniano, coronel da Guarda Nacional, logrou um belo tento ao buscar na beira-mar de sua região inspiração para seu primeiro romance, trabalho enxuto, bem elaborado, que focaliza o embate dos homens que trabalham com o sal, seus dramas pessoais, suas necessidades e dificuldades, o chamamento para o Sul, o convite para voltar ao sertão de que procedem.
 
Trabalhando na salina Margarida, mestre Nonato pagou 70 vezes seus pecados, mandaram-no fazer serviço de tarefeiro acostumado logo no primeiro dia, ouviu gritos, caiu da prancha carregando balaios, levando consigo a marca visível e dolorosa de um rasgão.
 
"Salina não é lugar pra vivente". "Pilhas de sal grosso despiam-se das crostas mondrongosas, poliam-se, niquelavam-se com os filetes d'água que choravam..." trabalhava-se sem esperar paga, curtindo fome e perdendo esperanças.
 
À noite, corpos sofridos nas salinas, os homens bebiam no boteco Gato Bravo. "E os homens que bebiam falavam de suas vidas, indiferentes à corrosão do cloreto, comidos de mazelas, ficavam sentimentais." E havia muito segredo entre aquela gente escorraçada de seu meio, coisas que aconteciam e não podiam ser contadas, amores violentos e forçados, ao lado da pureza das meninas em flor que deslizavam para o desvio ao desconhecido, ou ainda mistérios que o leitor tentará desvendar.
 
Um livro muito bom, este de Caio Porfírio Carneiro, lançado pela LetraSelvagem, a editora que Nicodemos Sena fundou e dirige gloriosamente em Taubaté, terra de bandeirantes e de nosso polêmico Monteiro Lobato.
 
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* Manoel Hygino dos Santos é crítico e escritor, membro da Academia Minra de Letras

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Autor

» Adelto Gonçalves

Jornalista com passagem em alguns dos maiores órgãos da Imprensa de São Paulo, professor univeresitário com doutorado pela USP (Univesidade de São Paulo), especialista em Literatura Portuguesa e Espanhola, autor de ensaios premiados, é também excelente ficcionista, como se pode comprovar neste romance "Os vira-latas da madrugada", um dos livros premiados, em 1980, no concurso de âmbito nacional promovido pela Livraria José Olympio Editora, que o lançou em 1981, e, trinta e quatro anos depois, é reeditado pela LetraSelvagem. "Adelto Gonçalves tem o dom de fazer viver suas personagens, convencendo o leitor de seu valor humano, mesmo quando suas ações, como as de Pingola e Quirino, lhe repugnem", escreveu Maria Angélica Guimarães Lopes, professora emérita da Universidade South Carolina, em resenha publicada na "Revista Iberoamericana", do Instituto Internacional de Literatura Iberoamericana, Universidade de Pittsburg, EUA, janeiro de 1985.

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