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Épico Acampamento
Página publicada em: 27/07/2009
Dilermando Rocha*
Sobre os poucos que conseguiram (literariamente falando) sair vivos do vasto e voraz mundo amazônico
Além das duas mais famosas ficções exaltando o esplendor amazônico – A Selva, do luso Ferreira de Castro, que viveu o boom da borracha,  e La Vorágine, do colombiano José Estivera, que pintou com fortes tons o adâmico paraíso do eldorado pra turistas e pros demais, inferno verde - , tivemos recentemente Nicodemos Sena, em A Noite é dos Pássaros, inspirado no baiano Alexandre Rodrigues Ferreira, da Viagem Filosófica pelas Capitanias do Grão Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Cuiabá, no século  XVIII e, também, em Duas Viagens (ao Brasil), de Hans Staden, no século XVI, alemão que conseguiu escapar dos tupinambás chorando ante ameaça de ser devorado, o que, ademais, ocorreu com I-Juca Pirama, de Gonçalves Dias. Tudo bem diferente dos românticos Iracema e O Guarani, de Alencar, e do trágico fim do nosso primeiro bispo dom Pero Fernandes Sardinha, que desprezou humilhação das lágrimas, preferindo imolar-se no santo sacrifício de rito canibal dos caetés das Alagoas.
 
Antes, descreveram o exuberante mundo verde o Padre Vieira, em 1654, John Wilkens, Friedrich von Martius no século XVIII, Inglês de Souza no XIX, Abguar Bastos em 1929, Lauro Palhano na construção da Madeira-Mamoré, mesmo assunto de Márcio de Sousa em Mad Maria e Gastão Cruls, Roquete Pinto, Rondon, os irmãos Villas Boas, José Veríssimo, Euclides da Cunha, Alberto Rangel, Sousândrade, Peregrino Jr., Osvaldo Orico, Brandão Amorim, Raul Bopp, Vivaldo Coaracy, Artur César Ferreira Reis, Nunes Pereira, Milton Hatoum, Márcia Teophilo, Getúlio Alho, Jorge Tufic; todos supermotivados pela impactante paisagem.
 
Agora, Aricy Curvello. Após 9 meses de gestação explodiu seu estro, na Cia. Vale do Rio Doce em Trombetas-1975/1976, possuído pela Musa das Selvas, verve extasiada porém  contida, encantado mas meticuloso e reflexivo o bom mineiro de Uberlândia. Aricy soltou o verbo conciso, enxuto, aqui na forma de verso, poesia da mais alta qualidade, pequeno-grande poema em seis Cantos ou  estrofes, sentidos fragmentos sob simples título, O Acampamento, já em 5ª edição e traduzido ao espanhol, francês e italiano, que nos cativa, comove, sobretudo instiga. Assim inicia:
 
Barracões contra o rio,
o ermo contra as tábuas.
Nenhum sinal para fixar-te,
senão fluxo e passagem
 
a relva pisada em volta das casas...
floresta das chagas...
mugem na Amazônia palavras sem poema
 
- O que é então esta pungente obra? – “absurda coleção de pragas”.
 
“Onde a floresta começa, o Brasil acaba?”
 
Ferinos dardos na gente que não soube continuar a conquista dos bandeirantes, pois ficou morando como mariscos no litoral atlântico! Na estança nº 2 evoca a voz do silêncio “esse inarticulado grito”. O terceiro fragmento: “No princípio do mundo, a madeira atroz” disputada por madeireiras de executivos “laranjas”, grileiros, agronegócios das queimadas ora focadas na Internet, satélites e imprensa.
 
No trecho 4, “os verbos ardem ... verde arder e consumir-se. Braços... não nomes, não rostos/ não de nenhuma aparência como cimento e tijolos.”
 
O texto 5, pouco mais longo, “A terra verdesuja.../ A verdeluz... O que vejo: não mais verei. Ilhas sem mim... arquipélagos dos lagos ... Roçar de asas / colorados estandartes em bandos ... Abrem, rasgam/ arrebentam a terra/ os homens não buscam a luz do rio”, caminho vivo prenhe de brilho do sol enquanto a mata “ no chão noturno mais noite que a noite... Querem/ apenas bauxita... O Governo quer alumínio ferro ouro cobre cassiterita chumbo níquel ... o horror/ veio tecer diademas de injúrias, meu salário”.
 
No último Canto, “núcleos esparsos de povo, nos povoados/ perdidos . No vasto país que se descobre em barcos de grosso casco e marcha lenta,” chalanas que precisam levar civilização aos amazônidas, precisam implementar o ecoturismo, precisam proteger a fauna em safáris só com armas de festim “no tempo em que quase tudo é tarde”. E termina repetindo o princípio de cruel sentença, “relva pisada em volta das casas” num épico berro e não súplica, numa elegia...
 
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*Dilermando Rocha, escritor, é mineiro de Juiz de Fora.

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» Álvaro Alves de Faria

Já em 1971, ano da primeira edição do romance "O Tribunal" (Editora Martins-SP), Álvaro Alves de Faria, com apenas 29 anos de idade (nasceu em São Paulo em 1942), era considerado “um dos escritores jovens mais conceituados” do Brasil, como informa o jornalista Durval Monteiro nas orelhas do livro. Da Geração 60 de Poetas de São Paulo, Álvaro Alves de Faria publicou mais de 50 livros, incluindo poesia, novelas, romances, ensaios literários, livros de entrevistas com escritores e é também autor de peças de teatro, entre elas "Salve-se quem puder que o jardim está pegando fogo", que recebeu o Prêmio Anchieta para Teatro, um dos mais importantes dos anos 70 do Brasil. Como poeta, recebeu os mais significativos prêmios literários do país. É traduzido para o inglês, francês, japonês, espanhol, italiano, servo-croata e húngaro.

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