Nicodemos Sena e Sant'Ana Pereira representam a moderna ficção do Norte do Brasil.
A Mulher, o Homem e o Cão (Ed.LetraSelvagem, Taubaté-SP, 2009, 152 pág.) é o 3º romance de Nicodmeos Sena, que nasceu no dia 8 de julho de 1958, em Santarém, Pará, Amazônia brasileira, passando parte de sua infância entre os índios maués, na região de fronteira entre os estados do Pará e Amazonas, experiência que marcou para sempre a sensibilidade do escritor identificado com a terra e as gentes amazônicas.
Por seu estilo vigoroso e a temática inspirada na vida das populações marginalizadas da Amazônia (indígenas e caboclos), Nicodemos Sena já foi comparado a grandes ficcionistas brasileiros, como Graciliano Ramos, João Ubaldo Ribeiro, Mário de Andrade e Érico Veríssimo, e a importantes ficcionistas latino-americanos, como o paraguaio Augusto Roa Bastos e o peruano José María Arguedas. Seu primeiro romance, A Espera do Nunca Mais - Uma Saga Amazônica (876 pág), conquistou, em 2000, o Prêmio Lima Barreto/Brasil 500 Anos.
Em 2003 A noite é dos pássaros é publicado em forma de folhetim, em dezoito episódios semanais, de 3 de abril a 31 de julho, no jornal "O Estado do Tapajós" (Santarém do Pará) e na revista eletrônica portuguesa “TriploV”. Ainda em 2003, A noite é dos pássaros é publicado em formato livro (Ed. Cejup, 136 pág.). No mesmo ano fragmentos de A noite é dos pássaros são publicados nas revistas “Palavra em Mutação” (nº02) e “Storm-Magazine”, ambas de Portugal.
Ainda em 2003, A noite é dos pássaros conquista o prêmio Lúcio Cardoso, da Academia Mineira de Letras, e, em 2004, Menção Honrosa no prêmio José Lins do Rego, da União Brasileira de Escritores (UBE/Rio de Janeiro).
A Mulher, o Homem e o Cão (LetraSelvagem, SP, 152 pág., 2009) é o 3º romance de Nicodemos Sena, que reside atulmente em Taubaté-SP.
Sant'Ana Pereira é neto de uma índia colombiana e nasceu, como Nicodemos Sena, em Santarém do Pará (1936). Estreou na literatura com o romance Os Palmitais (1990, Ed. Cejup, Belém-PA), atraindo de imediato a atenção do público e da crítica locais. Invenção de Onira, ora relançado pela LetraSelvagem, teve 1ª edição em 1988, em Belém do Pará, seguindo-se uma 2ª edição em 1998, ambas pela Ed. Cejup. Em 2000, veio a lume o romance Os Saparás e, em 2005, A Torre de Diaphanus, que consolidaram a reputação deste romancista da Amazônia.
Pode-se afirmar, sem exageros, que, depois de vinte anos de seu aparecimento, Invenção de Onira tornou-se um "clássico" da literatura realizada na Amazônia brasileira, apesar de pouco conhecido no restante do Brasil, fenômeno aliás corriqueiro num país de dimensões continentais como o Brasil, onde os centros do Sudeste/Sul, que se arrogam o poder de escalar o que se deve ou não dar atenção, relegam quase sempre ao esquecimento o que de melhor se faz nas por eles chamadas "periferias", esquecendo-se porém de que é das culturas "periféricas" que chega muito do que, ao longo do tempo, se impõe como algo de verdadeiramente novo.
Daí que a reedição deste maravilhoso romance de Sant'Ana Pereira, Invenção de Onira, pela LetraSelvagem, significa um ato de coragem e rebeldia frente a uma situação que há décadas asfixia as forças criativas vivas do Brasil.